terça-feira, 31 de outubro de 2023

spooky season demands spooky movies

Planejei esse post por muuuito tempo e protelei até onde consegui, mas não podia deixar de postá-la ainda em outubro. Assisti a alguns filmes e séries este mês por conta do Dia das Bruxas (minha data comemorativa favorita juntamente com o Natal) com o meu namorado e achei que seria legal compartilhá-los. Talvez este seja o único post de "resenhas" em algum tempo, também. Clica aí no "leia mais".

 A Autópsia (2016): "Brian Cox e Emile Hirsch interpretam pai e filho que formam uma equipe de legistas. Certa noite, os dois são encarregados da autópsia de um corpo encontrado perturbadoramente intacto no porão de uma casa onde ocorreu um inexplicável múltiplo homicídio. E o que os dois encontrarão desatará um terrível mistério sobrenatural e uma noite de horror." (HBO Max)

Avaliação: ★★★★✰

O que mais me interessou no filme foi a configuração nada usual de protagonistas — pai e filho, quando estamos acostumados a adolescentes histéricos e metidos a heróis. Desde o início eu simpatizei com o pai, o que foi bem irônico, pois fiquei debatendo com o meu namorado sobre como é preciso ter um pouco de "sangue frio" para trabalhar com autópsias. O plot é bem elaborado e eu me senti tensa várias vezes, com "medo" 
real, e acho que muito se deve a como os eventos sobrenaturais não foram super sensacionalizados, em especial as criaturas, que na maioria dos casos acabam extirpando o meu entusiasmo por serem muito caricatas e pouco críveis. As decisões dos personagens também pareciam coerentes com o contexto pelo qual estavam envoltos, sem exageros. Gostei muito. Única coisa que me decepcionou foi não saber além de suposições da figura emblemática que dá vida à história, mas talvez essa seja a graça. 

Tempo (2014): "Uma família aproveita os dias de sol em umas férias tropicais, mas descobre que a praia isolada onde estão relaxando por algumas horas está de algum modo fazendo com que eles envelheçam rapidamente...reduzindo suas vidas a apenas um dia." (Star+)

Avaliação: ★★✰✰✰

Uma boa surpresa ao assistir esse filme foi me deparar com Alex Wolff (Hereditário) como parte do elenco, uma vez que gosto muito do trabalho dele. Eu não tinha grandes expectativas quanto ao enredo, mas me impressionei com o quão brutal ele consegue ser. É o tipo de filme que começa parado, quase monótono (difícil de prestar atenção, até) e vai escalando com o tempo. Gostei de como a trama se desenvolveu, abordando temas que não imaginei ver. Aqui, o que peca é um pouco o posto de A Autópsia — sinto que o filme se perde um tanto na explicação final, mas ainda assim é interessante.

"Roanoke" (s06), de American Horror Story (2016): "A sexta temporada, assim como a primeira, fala de acontecimentos estranhos em uma casa, porém, inova ao fazer um pseudodocumentário, uma história ficcional que utiliza as estratégias de um documentário na construção do contexto.
Em um dos episódios, os personagens que são “pessoas reais” contam como foi a mudança para uma nova casa em Roanoke, na Carolina do Norte, até a descoberta da lenda de que existem fantasmas lá. Ao longo da temporada, o público do documentário descobre que as histórias contadas eram todas reais." (Olhar Digital)

Avaliação: ★★✰✰✰

Aprendi a gostar de American Horror Story vendo temporadas avulsas, e entre essa e "Cult", a oitava temporada, acho que ela vale muito mais a pena ver. A série tem formato de documentário, coisa que estranhei à princípio, mas logo me interessei pelo futuro dela — afinal, quando temos "testemunhas" nos contando o que aconteceu, a curiosidade para saber como sobreviveram e como se interpelam umas às outras é intensificada. Como de costume, a temporada conta com alguns atores já conhecidos na franquia, como minha digníssima Sarah Paulson (te amo, Sarah Paulson), que não poderia combinar mais com temáticas de horror. Enfim, em relação à outras "sequências", esta tem muito mais gore. Cada episódio era um novo banho de sangue. Também achei legal a história ser inspirada na lenda real da Colônia de Roanoke, protagonista de um misterioso desaparecimento que perdura até os dias de hoje. Infelizmente, o desfecho deixou a desejar, mas entrar em detalhes acarretaria em muitos spoilers. Pra quem gosta do gênero, é recomendadíssima. 

Junji Ito Collection (2018): "As obras de um dos maiores artistas de mangá de horror do Japão, Junji Ito, finalmente são animadas! Esta animação será uma coletânea, onde cada episódio estrelará protagonistas diferentes, como os famosos Tomie, Soichi, e Fuchi!" (Crunchyroll)

Avaliação: ★★★✰✰

De 14 episódios, o anime é uma coletânea de contos do Junji Ito, que a maioria já deve conhecer por obras como Uzumaki ou pela personagem Tomie. Os que mais gostei foram aqueles em que o Souichi apareceu, meu personagem favorito por conta de seu humor ácido e carisma e travessuras quase sempre falhas, que mais provocam risadas do que medo. Eu não li toda a obra do Ito, então não posso julgar com propriedade, mas uma coisa que me incomodou foram os finais sempre muito vagos, normalmente súbitos. As ideias dele são macabras e legais, têm sucesso em provocar aflição, mas raramente são aprofundadas. A arte do anime é bonita e fiel ao estilo do autor, mas eu diria que a animação é mediana.

Os Olhos da Minha Mãe (2017): "A jovem Francisca vive numa fazenda isolada. Certo dia, um forasteiro invade a casa e Francisca assiste o assassinato selvagem da sua mãe. Agora solitária, ela é consumida por um profundo e sombrio desejo de vingança e vai enfrentar o invasor." (Prime Video)

Avaliação: ★★★★✰

Fico um pouco hesitante em dar quatro estrelas a este título, mas é que não sei me decidir. É um filme muito diferente dos filmes de horror hollywoodianos, e não sei se em uma única vez é possível apurar toda a sua sensibilidade. É um filme em preto e branco, quase sem diálogos, de ritmo lento e atmosfera cruamente sombria. Chega a ser poético, na verdade, e com certeza não é nada do que se espera a partir da sinopse. É preciso assistir a ele com a mente aberta e estar preparado para refletir, pois toda a produção visual e o silêncio ensurdecedor nos levam à a adentrar a psique da protagonista, que se revela cruelmente perturbada e solitária, tentando encontrar jeitos de dar vazão aos sentimentos conflituosos que a preenchem. 


Violência Gratuita (2007):
"De férias numa casa de veraneio à beira do lago, uma família é surpreendida pela visita de dois jovens que revelam gradativamente tendências sádicas. Os visitantes indesejados impõem jogos de perversão, violência e humilhações." (Papo de Cinema)

Avaliação: ★★★


Este filme é remake do original austríaco de 1997, que ainda não assisti, mas é estimado pela "
crítica que fazia ao excesso de violência e ao voyerismo do espectador" (Papo de Cinema). Aqui, também, há um reflexo disso nos dois jovens que perturbam insistentemente a família. Apesar de algumas falhas — sobre quais vocês podem ler no link acima —, eu acho que ele cumpre com seu papel questionador ao mesmo tempo em que atende às expectativas de fãs de thrillers, embora se pareça muito com um terror psicológico também: ficamos o tempo todo tensos, mas desprevenidos para os vários plot twits que vão se sobrepondo um ao outro, com contribuições notáveis dos dois jovens, que não raramente parecem quebrar as barreiras da quarta dimensão e interagir diretamente com o telespectador. 

São essas minhas contribuições para o Halloween deste ano. Espero que gostem (e cuidado com o Bicho-Papão)! 🎃








Um comentário:

  1. Não sou muito fã de filmes/séries de terror. A maioria dos contatos que tive com essas produções foram com obras que abusam muito dos efeitos sonoros para dar susto e eu tenho sensibilidade auditiva. Então ficava com mais medo (e ansiedade) pelo barulho do que prestando atenção no filme. Das que você citou, só conheço AHS porque assisti a temporada Cult antes da última eleição. Foi um verdadeiro filme de terror pensar no que poderia acontecer (outra vez), mas gostei de ter assistido. Acho que é mais fácil sofrer por situações fictícias do que encarar a realidade.

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