É, galera, não tá fácil.
Vi o vídeo de uma menina que tem borderline no tiktok outro dia e ela dizia algo como "em algum momento da minha vida, comecei a ficar melhor, fazia coisas que antes não conseguia ou sentia vontade, minha psicóloga começou a me elogiar. De repente, de um dia pro outro, tudo virou do avesso. Ciclos nunca terminam pra borderlines, eles sempre recomeçam". Eu não sou borderline, também não posso dizer muito pela minha suspeita de bipolaridade, mas é mais ou menos assim que me sinto. Bem por aí mesmo.
Sem dúvidas, 2021 foi um ano de provações pra mim (ninguém acredita quando digo que anos ímpares sempre comem o meu c* com gosto e a seco). Minha mãe ficou doente três vezes, em períodos de mais ou menos três em três meses, e em duas delas ficou internada. A primeira foi com COVID. Até aí, tudo bem — não exatamente, mas ela se recuperou bem depois dos quatorze dias e, por incrível que pareça, minha saúde continuou intacta. Na segunda, teve um AVC leve, provocado pela hipertensão que ganhou como bônus do COVID. Foi difícil, eu não tinha como levá-la ao hospital porque ela tinha medo de que eu me contaminasse com alguma coisa e ficamos dependendo da *pouca* boa vontade de colegas. Na última vez, teve uma infecção no rim e não tive opção senão chamar uma ambulância contra a vontade dela. No fim, agradeço a mim mesma por ter feito isso, porque ela poderia tê-lo perdido facilmente se continuasse em casa. Os problemas foram todos resolvidos? Não, mas isso é história pra outro dia. O ponto é: não tenho estrutura psicológica pra pensar na minha mãe morrendo. Não temos uma boa relação, mas existo por causa dela e ela por minha causa. No primeiro dia internada, tentei voltar pra casa à pé e sozinha porque nenhum uber chegava na região e tive um ataque de pânico no meio da rua, às 19h. Worst experience ever. No terceiro dia, desmaiei no meio da unidade de internação. Literalmente entre os leitos. Machuquei o pescoço na queda, levei uma injeção na bunda e desmaiei de novo.
É, 2021 não foi o meu ano de sorte. Acho que nem preciso relembrar o pingue-pongue psiquiátrico que experimentei o ano todo também, né? Ô vidinha de merda. Apesar disso, houve coisas boas no meio disso tudo, como eu ter arrumado um emprego, que me permitiu agora em 2022 finalmente comprar um celular novo e arcar com as despesas das internações (que nem foram tantas, viva o sus (apesar de nem tanto)); ou ter dado uma ajeitada na minha relação com a minha mãe, também. Experimentei com ela umas duas ou três semanas de paz quase absoluta, e foi tão bom — pena que não durou.
Enfim, achei que eu estava indo bem, até porque parei de tomar todo e qualquer medicamento psiquiátrico por razão de estou cansada de ser cobaia de efeitos colaterais. Mas eu sei muito bem que meus problemas exigem um acompanhamento, e agora é questão de tempo (acho?) até eu tomar coragem e resolver fazer algo sobre isso. Aguardemos.
Com 2022 entrei no que estou chamando de terceiro pior limbo emocional da minha vida, e não tá sendo legal. De repente meu entusiasmo de ler livros passou, não consigo estudar, me sinto mais apática que nunca quando não entro em crise de ansiedade e literalmente nada parece fazer sentido. Olho pro meu cachorro, Theodore, que adotei em 2021, e percebo que ele foi o meu principal motivo pra...vocês sabem. Continuar. Mas é difícil. Trabalho todo dia, e só. Eu não sei se é pior não sentir nada ou chorar até 4h da manhã. Aqui, pelo menos, temos os dois.
Estou esperando que tudo melhore quando as aulas voltarem, e espero que a situação seja favorável a uma volta presencial também. Novidades: tive um surto de loucura e em março, também, começo um curso de chinês. Espero que isso me distraia um pouco dos fantasmas na minha cabeça. Preciso melhorar.
Por fim, não apareci porque escrever sobre mim sempre é algo que me desgasta — escrever, num geral, parece mais um castigo. Irônico pra alguém que estuda Letras, mas tudo bem. Sinto muito pelo poço de negativismo, mas depois de três meses na toca precisei exprimir um pouquinho do caos em texto. Espero que todos estejam bem e tendo um início de ano melhor que o meu.
Agora a meta (e motivação principal) é viver até a terceira temporada de The Great. Uhu.



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