quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Dezoito anos numa konbini

No fim do semestre passado, disse a mim mesma que acompanharia o máximo possível de aulas do próximo semestre e me empenharia em mais aprender do que só cumprir prazos. O semestre começou essa semana, e acho que até que está dando um pouco certo. Mas aí, vira e mexe, me lembro de que no mundo não existe lugar para pessoas como eu. Minha vida é a minha vida, e nela tenho circunstâncias especiais que exigem de mim o maior esforço possível. Mas o que eu faço com a fobia social? Com a ansiedade, com a depressão, a tendência ao isolamento e o transtorno de escoriação? Sei que tenho que procurar um emprego, mas como vou trabalhar se nem consigo fazer uma entrevista? E não que eu já tenha tentado, porque só a ideia me enche de medo e ansiedade. Pra ir à Coreia através do intercâmbio que tanto quero, preciso trabalhar e juntar dinheiro, aprender a me virar sozinha e falar com pessoas, aprimorar o inglês e o coreano...mas além de tudo preciso cuidar da minha saúde física e mental, ler os textos da faculdade, me ater ao período ideal da licenciatura, ajudar na limpeza da casa e ainda ter tempo pra lazer. Como é que eu faço tudo isso quando minha cabeça só funciona quando bem quer? Não quero ser uma adulta ordinária, mas sinto que é o que vou acabar sendo. Quero me esforçar, alcançar meus objetivos, ser alguém na vida, ter meu dinheiro, fazer pesquisas...Mas não tem nada de especial sobre mim. É tão exaustivo. Às vezes parece que meu cérebro é uma esponja que só absorve as informações depois de muita dificuldade. Sou nova, mas estou atrasada. Tendo somente dezoito anos mas já estando na faculdade, eu já devia estar "curada" dessas doenças que me atrapalham todo dia. Mas é tão difícil, o remédio precisa ser trocado de novo. Não consigo fazer tudo o que preciso. Terminei um livro em menos de dez horas, e me identifiquei bastante com a protagonista, que trabalha numa lojinha de conveniência há dezoito anos e isso é tudo o que ela sabe fazer. Passei dezoito anos, também, na minha própria konbini. Eu só sei fazer uma coisa por vez, mas preciso fazer muitas mais. Ou vão me expulsar da aldeia. Eu quero tanto ser uma pessoa normal.

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