sexta-feira, 11 de junho de 2021

K.

Essa é a primeira e última vez que vou escrever sobre você. Faz alguns dias desde que eu fui embora, e alguns menos que entendi e percebi que não quero voltar. Entre idas e vindas, foram seis anos ao seu lado. Quando eu pensava sobre isso, achava que não tinha erro: nasci pra ser sua e você nasceu pra ser minha. Sempre gostei de você, sempre amei você. Desde que eu era uma criança que não entendia de nada. E, depois que percebi isso, que aceitei que também gosto de meninas e que gostava de você, planejei tantas coisas. Pensei sobre como queria te ver pessoalmente algum dia, casar contigo e partilhar uma vida inteirinha do seu lado. Tudo que eu via na rua, na internet ou nos meus sonhos me lembrava a você. Mas a verdade, K., é que você me machucou até o último minuto. Tentei te defender pros meus amigos, dei tudo de mim pra entender os seus sentimentos, pra perdoar as coisas ruins que você dizia ainda te "assombrarem". Mas a verdade é que tudo era muito cansativo, e enquanto você me acusava de drenar toda a sua energia, eu tava duas vezes mais exausta. Cansei de procurar razões. Nós somos incompatíveis, como você bem disse tantas vezes, e nada entre nós nunca poderia ser frutífero. Porque você não reconhece os seus erros, porque você não enxerga que me machucou de novo, e de novo, e de novo. Tudo o que você sabia fazer era falar sobre si mesma, sobre como eu era um problema, sobre como os seus amigos te diziam que você era uma pessoa boa e gentil — diferente do que eu te fazia sentir. Mas você é uma pessoa terrível, e é terrível no mesmo tanto que é boa.
No entanto, os seus acessos de raiva e egoísmo me ensinaram algo importante: preciso me priorizar e me amar como você faz consigo mesma. É difícil, na verdade. Odeio até o som da minha respiração. Mas eu acho que o primeiro passo em direção à melhora foi deixar você pra trás e entender que eu não merecia e não mereço relações ruins como essa. Nunca mais vou ter ataques de ansiedade ao esperar por respostas suas. Nunca mais vou implorar pra que você não me abandone. Nunca mais vou aceitar as ofensas que você me fazia. Nunca mais vou vomitar, passar horas no banheiro ou deixar de comer porque as coisas entre a gente tão uma merda e me deixam (ainda mais) deprimida. Nunca mais você vai me afastar de mim mesma, K. É uma promessa que faço a mim mesma. E, ainda que você não leia isso nunca (e é o que espero, porque cansei de me sentir violada e invadida por você), adeus. Eu vou deixar, finalmente, esse amor perecer.

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