quarta-feira, 28 de abril de 2021

P.

Eu odeio você. Odeio você do fundo do meu coração e com toda a força que tenho sobrando no meu corpo. É a primeira vez que odeio alguém de verdade, e esse sentimento não me traz o alívio que me prometeram livros e filmes. Você acabou comigo, P., e sei que sabe disso também. São quase dois anos desde que toda aquela tortura começou e já faz pouco mais de um que acabou. Mesmo assim, não esqueci. Todo o meu corpo ainda sente aquela mesma dor, ou talvez até maior, porque agora estou mais madura e enxergo o quão grave foi tudo o que se passou. Eu devia ter acionado a polícia, ter pedido uma ordem de restrição pra que você ficasse muitos metros longe de mim. Não consegui. Apaguei as mensagens e torci muito pra que você parasse de me incomodar, que esquecesse de mim e que eu nunca mais precisasse te ver na minha frente. É claro, não funcionou nem um pouco. Você se empenhou em me perseguir por algum tempo mais, e vira e mexe esbarro com lembranças suas. Por muito tempo, me senti um monstro. Pensei que fosse minha culpa você também estar doente, que eu era mesmo tudo aquilo que você acusou. As pessoas se afastam antes que eu dê um pé na bunda delas, não foi isso o que disse? E que seria um desperdício morrer por minha causa, mesmo que tantas vezes você tivesse me feito perder a respiração quando ameaçava tirar a própria vida caso eu negasse contato. Talvez eu seja mesmo essa vagabunda sem valor que você tantas vezes mencionou, mas você ainda não tinha o direito de fazer o que fez. Não consigo me aproximar de homem algum sem antes pensar que tudo vai se repetir outra vez. Sair de casa? Como eu poderia fazer isso com tranquilidade quando você mora bem ao lado, na mesma rua? Meu corpo me dá nojo. Minha imagem me dá nojo. Odeio a mim mesma mais do que odeio você e, porra, isso dói pra caralho. Lembro como se fosse ontem de quando me fez ajoelhar na sua frente, chorando, e implorar pra que me deixasse em paz porque eu não queria mais viver. E lembro nitidamente de como você resistiu e disse que nunca faria isso, que nunca me deixaria em paz. Queria entender por que fez o que fez. Eu realmente gostava de você. Te amava, até. Era o melhor amigo ideal, tentava me agradar de todas as formas possíveis, me ouvia quando eu precisava chorar. Até cheguei a dizer algumas vezes pra L. que confiava mesmo em você, que não era "esse tipo de cara". Se você me amava tanto quanto dizia, por que tentou me machucar de tantas formas horríveis? E conseguiu, se quer saber. Me fez me odiar a ponto de mal conseguir me encarar no espelho sem ter vontade de quebrar tudo. Queria colocar fogo em todas as coisas que você já me deu, te mandar um monte de mensagens pra dizer o quão merda você foi e é e, finalmente, esquecer por completo que você já existiu na minha vida. Ao contrário do que talvez pense, entender que a culpa é toda sua não me deixa mais tranquila. Me deixa com raiva. Me deixa com raiva porque sei que você tá vivendo a sua mesma vida de sempre, com esses pais babões que fazem tudo o que você quer e passam a mão na sua cabeça o tempo todo. Disse a mim mesma várias vezes que não quero o seu mal, mas acho que não é verdade. Quero que se arrependa e se sinta um lixo. Queria que implorasse perdão do mesmo jeito que me fez fazer por você tantas vezes no passado. E, mesmo que você se sentisse o pior dos seres humanos, eu ainda não me sentiria cem por cento bem. O que você fez comigo nunca vai ser esquecido, perdoado ou curado. Você me desgraçou totalmente. E nem todas as palavras do mundo seriam o suficiente pra mostrar o quanto eu te odeio e te desprezo por isso. 

Um comentário:

  1. só queria dizer que eu to aqui e muito feliz de tu ter voltado a escrever. ♡

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